DICA Nº 01 - COMO PASSAR FIOS, COM FACILIDADE, EM TUBULAÇÃO EMBUTIDA EM PAREDES  escrito em terça 03 fevereiro 2009 11:23

Cansado de tanto tomar chuva no lombo, vários anos, quando ia abrir o portão da garagem de minha casa, resolvi comprar um kit de portão eletrônico (motor, barra dentada, fios, etc.).

Deixei tudo num canto da casa e, dia seguinte, liguei cedinho (por volta de 8:00 horas da manhã) para uma empresa de renome, especializada em instalar portão eletrônico, cerca elétrica e parafernálias afins.

Prontamente, o vendedor me atendeu e já indicou um "exímio" eletricista - expert no assunto -  para me atender no mesmo dia!

Fiquei feliz!

Poucos minutos depois chega o Zé eletricista. Fomos desde logo nos entendendo sobre o modus operandi da instalação do portão eletrônico.

Disse a ele onde a tubulação (livre) passava por dentro do reboco do muro da frente da casa; disse também que essa tubulação (tubo de pvc rígido de 3/4 ) fazia curvas fechadas em três quinas do ponto de saída até o ponto de entrada (sobre a laje, por debaixo do telhado).

O Zé eletricista me confirmou que entendeu tudo direitinho -  e que possuía equipamentos de "última geração", capazes de passar os fios (paralelos) dentro dela, "com certa facilidade" e que, provavelmente, até a hora do almoço o portão já estaria funcionando perfeitamente.

Fiquei ainda mais feliz!

Como era dia de "garrar na enxada", disse a ele que ficasse à vontade, porque tinha muito trabalho a fazer e, por volta das 13:00 horas da tarde eu estaria de volta em casa para almoçar e conferir a instalação, bem como acertar o pagamento do serviço.

Fui para o trabalho, feliz da vida!

Conforme combinado, retornei à minha casa por volta das 13:00 horas, acreditando que o dito portão eletrônico já estava, potencialmente,  prestes a me poupar das chuvas no lombo, ou seja, que já estaria em pleno funcionamento.

Para minha surpresa, abri o portão da garagem, como sempre fazia a vários anos: destranquei-o e o empurrei; ato contínuo, entrei no carro e adentrei na garagem. Fechei o portão.

Olhei no canto da casa e lá estava o Zé eletricista sentado, cabeça baixa, pitando um cigarro de palha, calmamente.

Perguntei a ele qual foi o problema que lhe impedira de colocar o portão eletrônico em funcionamento, ao que respondeu, dizendo que passou a manhã "inteirinha" tentando passar os fios na tubulação, esfolou suas mãos...queimou no sol em cima do telhado, uma aranha lhe mordera, a escada quase lhe derrubou e, também, de lá tentou passar os fios de cima para baixo - e nada! Não conseguiu passar nenhum metro de fio dentro da tubulação!

Ato seqüente, me disse que teria de ser contratado um pedreiro para quebrar o muro onde estavam embutidos os tubos e colocar outros tubos mais grossos (1 polegada) e com curvas suaves (não cotovelos de 90 graus), para que, assim, ele pudesse passar os fios e fazer a instalação dos equipamentos.

Santo Divino; pensei comigo!

Eu que havia acabado de aplicar textura e pintura no muro, tinha de demoli-lo e, novamente, refazer o reboco, aplicar textura e pintar para, depois, ser promovida a instalação do portão eletrônico?

Insisti ainda com o Zé, se não teria outra forma de passar os fios sem quebrar tudo, tendo ele dito que, com sua experiência de 25 anos de serviços de eletricista, conhecia muito do ramo, e descartou qualquer possibilidade de passar os fios naquela tubulação sem quebrar tudo!

Saí cabisbaixo; fui para o fundo do quintal matutando, voltei na garagem... voltei ao fundo do quintal de novo...Sentei perto do Zé eletricista e fiquei olhando para o muro, pensando numa maneira de passar os fios sem ter que arrebentar tudo.

Passados alguns minutos, tive uma brilhante idéia. Fui aos fundos da casa, no quartinho da bagunça (aquele local onde tem de tudo, na mais perfeita desorganização),  peguei minha traia de pesca (maleta), uma lata de graxa de rolamentos e o aspirador de pó. Levei esses petrechos até o Zé eletricista.

 Chegando perto do Zé, logo me indagou:

 - uai! Você vai pescar ou vai limpar a casa? E essa lata de graxa, pra que isso?

- Nada disso, Zé; vou tentar passar os fios na tubulação. Quanto à graxa, prepare-se, pois você vai saber também para que serve!

- Mas, com com essas coisas de pescaria - anzóis, garatéias, lanternas, facão, chumbadas..., aspirador de pó e graxa é que você vai passar os fios ???????

- Não, não... Zé. Fique quieto no seu canto que você vai entender tudo daqui a pouco!

 BOM, AGORA - A DICA:

 Na seqüência, peguei na maleta de pesca um carretel de linha de nylon para pescaria (0,35) e, com um pedaço de isopor na mão, fiz uma pequena bolinha (de isopor) com diâmetro um pouco inferior  ao da tubulação (3/4) e procedi da seguinte forma:

  • a) amarrei a bolinha na ponta da linha;
  • b) subi pela escada, indo até a extremidade da tubulação que saía por cima da laje da casa;
  • c) enfiei a bolinha na extremidade da tubulação;
  • d) desenrolei vários metros de linha do carretel, deixando a mesma livre sobre a laje, de modo não embaraçar;
  • e) desci pela escada e fui para a outra extremidade da tubulação que saia perto do local onde seria instalado o motor do portão;
  • f) liguei o aspirador de pó e coloquei sua mangueira na extremidade da tubulação e, no máximo 10 segundos, o aspirador já tinha sugado a bolinha com a linha e adentrado pelo recipiente onde fica depositado o pó.

 Em seguida, tirei a bolinha de isopor e amarrei a linha de pesca em uma outra corda (polietileno) mais forte (cerca de 3mm de diâmetro) e, na seqüência, fiz o seguinte:

 a) pedi ao Zé eletricista que subisse no telhado e puxasse a linha e, assim, levasse a ponta da corda para a extremidade superior da tubulação;

b) como os fios estavam lá, sobre a laje, pedi ao Zé que amarrasse as pontas dos dois fios na corda e passasse, também, graxa nos fios para "escorregar" dentro da tubulação - o que ele fez prontamente;

c) passo seguinte, puxei a corda, a qual veio arrastando os fios dentro da tubulação, com uma facilidade invejável!

 Pronto! Terminou a passagem dos fios, ou seja, a parte mais encrencada do serviço!

Esse trabalho todo - entre pensar como faria a passagem dos fios e a conclusão de tal proeza - durou cerca de 30 (trinta) minutos!

Terminada aquela fase, disse para o Zé eletricista: mãos à obra - instale os equipamentos!

Duas horas depois, o portão já estava funcionando perfeitamente!

 MORAL DA HISTÓRIA:

 Fico imaginando: no Brasil há uma carência brutal de profissionais de nível técnico em várias áreas, especialmente da construção civil. Dificilmente se vê algum profissional que bota a cabeça para pensar no sentido de encontrar alternativas novas para resolver os problemas cotidianos de seus ofícios. De outro norte, não se vê empenho do poder público em incentivar, criar nas escolas de 2º grau, o aprendizado técnico do dia a dia para esses profissionais.

E o que presenciamos é isso aí: uma falta de capacitação técnica profissional de pedreiros, pintores, eletricistas e assemelhados.

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